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Tsunami e Importações: Devo me Preocupar?

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Sumário

O Brasil sempre foi reconhecido como o país em que as probabilidades de Vulcões e Tsunamis atingirem o território pareciam ser remotas. A ideia de um Tsunami no Brasil chega a ser até absurda.

No entanto, o país tem um histórico de Tsunami que precisa ser analisado a fim de compreender a real possibilidade de ser afetado por um evento desse tipo. 

Por isso, neste texto analisaremos três pontos. O primeiro se refere ao Tsunami que atingiu o Japão em 2011 e como ele afetou o Comércio Exterior do país.

O segundo será referente ao histórico de Tsunami no Brasil e quais impactos ele ocasionou em nosso território.

Por fim, analisaremos o vulcão Cumbre Vieja, buscando saber como ele está hoje e se há riscos de causar danos em nosso território e em toda a América, em relação às importações e exportações. 

Mas uma coisa devemos dizer, não é necessário alarde em relação a esse assunto e todas as análises devem ser feitas de acordo com o bom senso e com informações precisas. 

Japão: Exemplo Trágico de Tsunami e Comércio Exterior

Neste ano, em 2021, o terremoto e tsunami de Fukushima, no Japão, completou 10 anos. Foi no dia 11 de março de 2011, uma sexta-feira, às 14:46 em que o maior terremoto já registrado no país empurrou em 2,4 metros para leste a ilha de Honshu, a maior do Japão, com magnitude de 9 graus, sacudindo e deslocando o país. 

Já no ponto exato do abalo sísmico, 24,4 quilômetros abaixo do nível do mar, o atrito entre as placas tectônicas da Eurásia e do Pacífico causou a movimentação de 50 metros, sendo o maior deslocamento de terra já registrado num terremoto. Essa movimentação forçou o mar para cima, causando o Tsunami. 

O Japão é familiarizado com Tsunamis, a própria palavra tem origem japonesa, formada pela união de “tsu” que significa “porto” e “nami” que significa onda.” Sendo uma série de ondas gigantes provocadas por terremotos ou erupções vulcânicas sob o mar. 

Vale dizer que de acordo com o Serviço Nacional Ocenânico dos Estados Unidos da América “No meio do oceano, ondas de tsunami não aumentam enormemente em altura. Mas, conforme as ondas atingem a costa, elas vão adquirindo mais e mais altura com a diminuição da profundidade do mar”.

O Japão já contava com um desenvolvido sistema de alerta e uma ampla estrutura de proteção. Às 14h49, três minutos depois do terremoto, um primeiro aviso de tsunami foi disparado. Essa notificação, entretanto, subestimou o tamanho do problema. A magnitude do terremoto foi inicialmente estimada em apenas 7,9, e acreditava-se que as ondas que pudessem chegar à costa teriam alturas entre 3 e 6 metros.

Na verdade, como se veria pouco depois, as ondas chegaram a 10 metros de altura, em alguns pontos até 15, e o abalo havia sido muito mais intenso, de 9 graus de magnitude. Essas falhas no aviso ficariam claras durante uma investigação sobre a tragédia. Um relatório da Agência Meteorológica do Japão, produzido em outubro de 2013, disse que os erros do alerta inicial podem ter contribuído para o alto número de vítimas.

O porto e o aeroporto de Sendai foram totalmente tomados pelas águas — embarcações, aeronaves, helicópteros, caminhões, vans e outros automóveis eram facilmente arrastados pelas ondas.

O terremoto seguido de tsunami deixou um total de 15.853 mortos e 3.282 desaparecidos, a maioria devido ao avanço do mar. A região com mais vítimas fatais foi a de Miyagi.

O Japão é considerado o país mais bem preparado do mundo contra terremotos. Depois da tragédia de 1923, que matou 140 mil pessoas, os edifícios japoneses passaram a ser construídos para absorver a energia de um abalo sísmico e, assim, são capazes de manter-se de pé. O processo, chamado de “isolamento sísmico”, envolve a presença de proteções na base das construções, como blocos de borracha, e amortecedores na estrutura dos edifícios.

Impacto no Comércio Exterior Japonês

Mas após os dias iniciais de preocupação na busca por sobreviventes e de alerta em relação à radioatividade de Fukushima, o país começou a sentir os primeiros impactos econômicos decorrentes do terremoto, do tsunami e do desastre nuclear. 

Um deles foi que a Rússia proibiu alimentos importados de quatro regiões japonesas, Fukushima, Ibarati, Toshigi e Gunna. Além da Rússia, EUA e Hong Kong também restringiram importações de origem japonesa.

Fizeram isso com o argumento de que havia o temor de que os produtos estivessem contaminados pela radioatividade. 

O território chinês de Hong Kong foi o primeiro governo asiático a impor restrições, sendo precedido pelo governo dos Estados Unidos, que baniu as importações de produtos lácteos e itens alimentícios. 

Além disso, na oportunidade, a França pediu à União Europeia (UE) para impor “controles sistemáticos” das importações de alimentos japoneses, enquanto autoridades sul-coreanas disseram estudar uma proibição dos embarques de itens vindos de regiões localizadas perto da usina nuclear.

O terremoto também afetou empresas japonesas e estrangeiras instaladas no país. Por exemplo, a Volvo AB (Fabricante de Caminhões da Volvo) que na época tinha mais de 10.000 funcionários teve que parar completamente a produção. A empresa também afirmou que suas revendas foram duramente atingidas pelo terremoto e tsunami. 

Já a indústria de alimentos suíça Nestlé afirmou que duas de suas três fábricas japonesas foram afetadas, inclusive o escritório da empresa em Sendai. A agência de notícias Associated Press relatou que a refinaria Cosmo Oil, próxima a Tóquio, foi incendiada. Algumas usinas nucleares foram desligadas. 

Todos os portos do país foram fechados, embora a medida tenha sido apenas por precaução. Muitos voos foram direcionados para longe das áreas afetadas. O aeroporto da cidade de Sendai foi inundado pelo tsunami. 

Logo após o terremoto e tsunami começaram a surgir notícias de que os tremores poderiam ameaçar também as exportações de veículos e peças japonesas aos EUA durante meses, isso porque todos os grandes portos no Japão foram fechados após o terremoto. 

Também havia o temor de que a água de lastro radioativa do Japão pudesse contaminar portos do Brasil. Isso porque, por sua localização, o Japão encontra-se numa das mais intensas rotas do transporte marítimo do mundo, com milhares de navios circulando.

Entre tantas outras coisas, para encerrar, também havia o temor de que o Tsunami e terremoto pudessem causar impactos sobre o mercado de soja, por ter afetado rapidamente os preços da commodities agrícolas no mercado internacional. 

Brasil: O Tsunami que Atingiu Nosso Litoral

No dia 1º de novembro de 1755 a cidade de Lisboa, em Portugal, foi atingida por um terremoto de grande magnitude. Ele levou destruição quase que completa da cidade e sua reconstrução estendeu-se por séculos. Até hoje esse ocorrido é considerado uma das maiores tragédias naturais que atingiu Portugal.

O efeito do terremoto em uma cidade nessa condição foi devastador, e os relatos contam que os tremores estenderam-se por até sete minutos, embora existam relatos que sugerem que podem ter se estendido por 15 minutos. O epicentro desse terremoto estava cerca de 200 km a 300 km de Lisboa, mais precisamente a sudoeste de Portugal continental, no meio do Oceano Atlântico. Os especialistas da área, ainda hoje, não conseguem precisar com exatidão o epicentro desse terremoto.

Estudos atuais calculam que o tremor de 1755 tenha alcançado 9 graus na escala Richter, valendo lembrar que a escala vai até 10. 

Muitas pessoas em meio ao desespero e fugindo dos desabamentos e incêndios que atingiam outras partes da cidade fugiram para a Baixa de Lisboa. Lá, essas pessoas foram atingidas por um tsunami que afetou toda aquela região.

Assim, muitos dos que não morreram nos desabamentos e nos incêndios morreram com o efeito do tsunami que alagou essa parte de Lisboa.

Mas o que esse terremoto em Portugal tem a ver com o Brasil? Acontece que esse abalo sísmico provocou um tsunami que atingiu ilhas do Caribe e pesquisadores apresentaram evidências de que ele também afetou o Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, com ondas de até 2 metros de altura.

Assim, cientistas alertam que o Brasil precisa se preparar contra tsunamis capazes de atingir o norte e nordeste do país. 

Cumbre Vieja: Distante, porém Temido

Agora o medo gira em torno do vulcão Cumbre Vieja, localizado na Ilha de La Palma, nas Ilhas Canárias. Isso porque o seu nível de alerta foi elevado de verde para amarelo pelo Plano Especial de Proteção Civil e Atenção às Emergências de Risco Vulcânico das Ilhas Canárias (Pevolca). 

Esse índice possui quatro níveis:

  1. Verde: O vulcão está adormecido, não apresentando indícios de que vai entrar em erupção. 
  2. Amarelo: o vulcão começa a apresentar indícios de erupção que devem ocorrer em dias, apresentando milhares de leves tremores de terra de magnitude geralmente entre 2 e 3 graus na escala Richter. 
  3. Laranja: o vulcão começa a liberar “fumaça” e aumenta sua atividade sísmica, com risco iminente de erupção. Nesse momento deve-se evacuar as áreas do entorno do vulcão. 
  4. Vermelho: o vulcão entra em erupção e deve-se continuar os esforços para evacuar a área.

O aumento de nível aconteceu após um aumento rápido no número de terremotos e atividades sísmicas ter sido registrado nos últimos dias. Caso ocorra uma erupção, um tsunami pode atingir as costas brasileira e africana.

Segundo o governo das Canárias, o aumento significativo nos movimentos sísmicos em La Palma começaram no último sábado. De acordo com Metsul Meteorologia, na terça-feira passada foram mais de cem tremores. O comitê Pevolca frisou que a atividade magmatica tem “o maior valor observado nos últimos 30 anos”.

A divulgação do alerta causou preocupação no Brasil e colocou o assunto entre os mais comentados nas redes sociais. Mas, afinal, as chances de acontecer esse fenômeno são motivo de real preocupação?

De acordo com especialistas, as probabilidades do vulcão provocar um tsunami de grandes proporções é pequena. No entanto, o risco de tsunami no Brasil depende diretamente da situação do vulcão Cumbre Vieja. 

O maior impacto seria na África, chegando com mais intensidade e de forma rápida. No Brasil, o tsunami perderia forças e chegaria cerca de nove horas depois de seu início, dando tempo para evacuar grandes áreas e diminuir os impactos. 

Mas os cientistas alertam que se algo acontecesse como o ocorrido em 1755 em Lisboa o Brasil teria altas chances de ser impactado por Tsunamis, princiálmente na região norte e nordeste. 

Mas os geólogos frisam que a situação atual de tremores não significa que uma erupção vá acontecer de fato, assim, caso os terremotos secundários cessem, a região ficaria estabilizada. 

Em resumo, segundo cientistas brasileiros, apesar de remoto, o risco é real e digno de atenção porque a erupção poderia gerar um tsunami capaz de atingir a costa e o Nordeste do Brasil.

Chegam a falar que a preparação para um tsunami precisa ser feita com bastante antecedência para dar tempo de evacuar toda a população. “É alarmismo falar que vai acontecer amanhã, mas não é alarmismo a possibilidade da ocorrência. Um plano não fica pronto nem em quatro dias (tempo previsto para ocorrer erupção no nível de alerta 4) e nem em quatro meses”, alerta Carlos Teixeira, professor da Universidade do Ceará, para a revista Isto É.

Acontece ainda que o tsunami poderia atingir a região norte e nordeste do Brasil e alcançar as ilhas do Caribe, e o litoral do México, EUA, Canadá e até Groenlândia, segundo projeções. 

Nossas atenções então se voltam para os principais portos do Brasil, principalmente da região norte e nordeste como o de Suape e de Fortaleza. 

Além de estarmos atentos nos principais da América Central e América do Norte, como o de Nova York (EUA), Virginia (EUA), Carolina do Sul (EUA), Georgia (EUA), Cartagena (Colombia) e Colón (Panamá). 

Mas como dito anteriormente, não há motivo para alarde, apenas é necessário saber que há sim chances de um evento desse tipo atingir o território brasileiro, ainda que não chegue em nosso litoral com um grande potencial destrutivo, assim como já ocorreu no passado. 

O Cumbre Vieja já é uma antiga ameaça brasileira, que há muito vem anunciando sua possibilidade de erupção com o risco de que uma parte dele caia no mar e provoque tsunami de grande proporção, e que deve sim ser monitorado de perto por nossos cientistas. 

Agora, devemos apenas aguardar como os eventos se darão nos próximos dias. Enquanto isso, veja nosso texto sobre a Economia do Afeganistão e o Impacto Global pelo Talibã (xpoents.com.br).

Atualização – 20/09/2021

O vulcão Teneguia, localizado no parque Cumbre Vieja na Ilha de La Palma, nas Ilhas Canáras, entrou em erupção no domingo, dia 19 de setembro de 2021, às 11h12 no horário de Brasília. 
 
De acordo com especialistas se tratou de uma erupção de pequeno porte e até o momento não há qualquer alerta de tsunami e o terremoto causou pouco efeito, sendo de pouco mais de 3,8 graus de magnitude na escala Richter. 

Esse vulcão não entrava em erupção desde 1971 e voltou a chamar atenção desde que passou ao nível de alerta amarelo. 

Na última erupção o vulcão permaneceu nesse estado de ativo por mais de três semanas. 

Agora, há dias a ilha vem sofrendo com tremores, tendo mais 4.200 pequenos tremores. Cerca de 400 tremores mais fortes foram registrados na região apenas nas últimas 72h.

A surpresa foi que esperava-se que a erupção fosse demorar mais alguns dias ou até semanas. 

Até o momento, possibilidade de tsunami foi descartada e é considerada remota. Devendo observar se novos tremores de terra ocorrerão nos próximos dias e meses. 

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Sobre Cícero Costa
Cícero Costa é advogado tributarista, professor de direito tributário, especialista em direito tributário pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários, com MBA em negociação e tributação internacional e palestrante. Sua atuação prática em mais de 15 anos de experiência fizeram de Cícero um dos maiores especialistas em precatórios e importação em Alagoas.
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