
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e da Organização Internacional do Cacau (ICCO), as importações de cacau no Brasil atingiram US$ 110 milhões em 2023 para atender à demanda nacional, enquanto a alta demanda e a chegada da Páscoa revelaram um aumento de 75% no preço do produto. Isso representa um aumento significativo em relação a 2022, quando o valor foi de US$ 28 milhões.
O volume importado também aumentou, totalizando 43,3 mil toneladas no ano passado, em comparação com as 11,4 mil toneladas de 2022.
O Brasil é o sexto maior produtor de cacau do mundo, mas fatores como a disseminação de pragas, como a vassoura-de-bruxa em 2023, impactaram negativamente as plantações, levando a uma necessidade maior de importação para suprir a demanda interna e manter a indústria chocolateira nacional em funcionamento, conforme explicado pelo co-CEO da empresa Vixtra, Leonardo Baltieri.
O estudo indica que a maior parte do cacau importado pelo Brasil provém da Costa do Marfim (80,84% das exportações) e de Gana (19,12%), conforme dados da Secex.
Esses dois países africanos, destacados como grandes produtores mundiais da iguaria, desfrutam de uma cultura agrícola bem desenvolvida, combinada com condições climáticas ideais para o cultivo.
Segundo Baltieri, isso resulta em uma oferta consistente e competitiva de cacau no mercado internacional, incluindo o brasileiro. O preço do cacau importado tem registrado um aumento constante por tonelada desde novembro de 2022. Comparando os meses de janeiro de 2023 e 2024, observa-se um crescimento de 75% no valor do produto neste ano, conforme relatado pela ICCO.
A elevação nos preços do cacau importado nos últimos anos está ligada à dinâmica tradicional de mercado, seguindo a lei da oferta e demanda. Leonardo explica que eventos climáticos recentes na África Ocidental impactaram negativamente as safras globais, reduzindo a produção e elevando os preços.
Além disso, questões relacionadas à sustentabilidade, como a demanda por práticas agrícolas responsáveis e certificações de comércio justo, podem ter contribuído para custos adicionais, influenciando os preços finais.
Apesar dos desafios, as importações de cacau asseguram um suprimento estável para a indústria chocolateira brasileira, atendendo à crescente demanda dos consumidores, especialmente durante a Páscoa.
Baltieri ressalta a expectativa para este período, destacando a necessidade de as empresas do setor ajustarem suas estratégias de precificação e promoção para garantir a acessibilidade dos produtos, mantendo margens de lucro saudáveis.