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As importações brasileiras de arroz somaram o correspondente a 91 mil toneladas do cereal em casca nas três primeiras semanas deste mês, 47% mais do que em agosto. No mês passado, haviam sido 62 mil toneladas.
Os dados são da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). Devido à alta de preços internos, o governo retirou a tarifa de importação do cereal, que é de 12% para o produto em casca e de 10% para o beneficiado.
O mercado interno continua, no entanto, com uma escalada forte de preços. As negociações foram realizadas a um valor médio recorde de R$ 105,9 por saca nesta terça-feira (22) no Rio Grande do Sul, estado responsável por 70% da sarifa nacional.
Os preços atuais do cereal em casca já acumulam alta de 13% neste mês e superam em 133% os de há um ano, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).
A alta do cereal ocorre devido ao cenário externo favorável as exportações neste ano. O real desvalorizado tornou o produto brasileiro mais competitivo.
As compras do produto com casca, paddy ou bruto pelo Brasil tiveram alta de 310% em volume na parcial de setembro até a segunda semana, totalizando 6.914 toneladas. Já as importações do arroz sem casca ou sem-elaborado, polido, glaceado, quebrado, parbolizado ou convertido também cresceram, mas menos. Foram importadas 26.668 toneladas, cerca de 14,7% mais do que o total adquirido na primeira quinzena de setembro do ano passado.
A isenção das importações começou a ser discutida em meados de agosto, quando a Associação Brasileira das Indústrias de Arroz (Abiarroz) enviou um pedido à câmara setorial do Ministério da Agricultura, para que fosse analisada a escassez do produto no mercado interno.
A medida se concretizou na semana passada, quando a Câmara de Comércio Exterior (Camex) liberou o total de 400 mil toneladas, com tarifa de importação zerada para arroz não parboilizado, polido ou brunido, até 31 de dezembro de 2020.
Cada empresa fornecedora terá, inicialmente, cota máxima de 34 mil toneladas do produto. Após atingida a quantidade máxima inicialmente estabelecida, novas concessões para a mesma empresa estarão condicionadas ao efetivo despacho para consumo das mercadorias. E a quantidade liberada será, no máximo, igual à parcela já desembaraçada.
Segundo a diretora-executiva da Abiarroz, Andressa Silva, essa medida pode garantir um teto no preço e possibilitar o abastecimento interno com o produto. “Não podemos concluir que vá haver queda nos preços, mas sem dúvida essa medida pode servir como um teto para que os preços não subam ainda mais, e o principal efeito é de complementar a oferta de produtos no mercado interno”, disse, em entrevista ao Canal Rural.
Setor teme impactos
Rizicultores podem ser os mais prejudicados com a medida, de acordo com Fernando Rechsteiner, presidente do Sindicato Rural de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e membro da comissão de arroz da Farsul.
“A grande preocupação com a retirada da tarifa é de que se crie um estoque artificial do produto, causando impacto para os produtores na entrada da próxima safra. Os estoques elevados vão prejudicar especialmente os pequenos produtores, que já estão descapitalizados e vão precisar negociar sua produção no início da nova safra”, avalia.
Rechsteiner, que também é produtor de arroz, considera que as importações neste momento são desnecessárias, uma vez que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) garantiu, segundo ele, que existe um estoque de 500 mil toneladas de arroz para a próxima safra. “Com esses números, não existe risco de desabastecimento”, afirma.
Fonte: Folha de S.Paulo; Canal Rural

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